setembro 18, 2010

Seu voto, cidadão?


O brasileiro é conhecido internacionalmente como carioca: um povo tão relaxado e hospitaleiro, aproveitando sempre o sol da tarde em Ipanema, que se esquece de escolher um candidato para o dia 03 de Outubro. “Amanhã eu decido”, diria nosso estereótipo. Ainda que o voto na Europa não seja obrigatório, é raro um europeu que não exerça sua cidadania. Talvez por isso lá a democracia funcione.
Esse tal povo brasileiro me parece sufocado: tão cansado dos espalhafatosos candidatos, da parafernália que polui as ruas e da mídia – partidária e parcial ao invés de crítica-, que aceita o Horário eleitoral com certo humor resignado. Quando o trabalhador encontra a família para jantar assistindo ao Jornal Nacional, depara-se com personagens cômicos que levantariam facilmente a audiência do Zorra Total, como prosseguir? O individuo espera, pacientemente. E quando enfim, o cidadão acredita que encontrará no jornalismo a verdadeira história do “Fulano para presidente”, depara-se somente com o release preparado pela assessoria do próprio candidato, o que fazer?
Em silêncio, o brasileiro abaixa a cabeça. Muitos se servirão de tal conjuntura para conseguir aquilo que tais candidatos não fornecerão quando eleitos.Outros ainda, se recolhem ao voto nulo, e a não expressão de opinião. Negar-se ao voto então, é impensável: para ser culpado frente a sociedade o a justiça eleitoral?
Tarde da noite, e o policial pede a identificação. A constituição brasileira pede, sem a menor cerimônia: “Seu voto, cidadão?”.

Nenhum comentário:

Quem sou eu

Minha foto
Poetisa que não declama e Jornalista nas horas vagas.