maio 19, 2011

Passos

Setor II, tarde de quinta-feira. Os passantes estão mais lentos, o vento sopra ao acaso - os resquícios de erva ainda impregnam o ar. Algumas sandálias se arrastam solitárias, outras acompanhadas. Vozes murmuram conversas pseudo-intelectuais, outras alardeiam gargalhadas.

Uns passantes não passeiam, se confundem com os muros de pedra lapidada. É hora de tirar a conversa anarquista do armário, compartilhar um baseado, na calmaria cinza que antecede a neblina. Último andar do bloco I, palavras soltas dão continuidade à conversa truncada. Insultos vagueiam entre os íntimos - os olhares trocados durante uma conversa silenciosa.

As núvens deslizam pelo céu gelado, mais apressadas que os transeuntes esquecidos. Árvores conversam por entre as folhas que balançam. Três... quatro pios de um pássaro amarelo desconhecido. Ele ainda não fugiu da chuva, como os personagens que agora aceleram o passo até a parada. Umas poucas estrelas pontilhadas, corredor movimentado. Encontrões - não há desculpa de nenhum dos lados.
Trovoadas.

Chuva que alaga o asfalto que ricocheteia nas rodas do carros que respinga na janela que molha o passante desavisado.

É noite, a tristeza é densa. O frio me arrepia. Torço para que o dia logo acabe

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Poetisa que não declama e Jornalista nas horas vagas.