agosto 12, 2010

XII - Absurdo

I

Sinto que sou pequena e grande demais para nós dois,
Sinto por meu silêncio e tudo o que não disse depois.
Sinto pelas perturbações que te causo, num curto espaço
de tempo. Nesta hora absurda*.
Você segue e me recuso à olhar pela janela,
te ver sob o céu tão coberto de estrelas.
É difícil te ver assim, ainda mais não me fazer ouvir.
Ou talvez meu silêncio subentenda?
E você veja neste silêncio todas as palavras escondidas nas entrelinhas.

Se eu te quero?
Pelo teu bem, seria melhor que não. Espera!
Ouça minha explicação.
Sou inconstante, sou volúvel e poeta.
Que bem eu te faria, então?
Minha modernidade está em falta, sinto se nasci na época errada.
Se eu mudar será o bastante e te verei sorrir?
Sinto ainda mais pela realidade; meu erros e falhas...
Talvez seja melhor te deixar ir.

II


Sinto que esta tua alma não me pertence
e que meu coração, seria à ti inútil.
É melhor que meus olhos não se acostumem, com o que tão pouco verão.
Sinto que sou incompreensível e fervorosa
nessa minha solidão.
Sinto se não sou complexa, mas complicada
nessa minha solidão estática
que beira entre real e ilusão.
Sinto que perco tempo a divagas, e que este eu
à ninguem interessa, em particular.
E que a cada minuto em que o instante recomeça
eu não encontro motivo ou explicação.

Sinto muito se meu eu é tão inteiramente confuso
Sinto que não sei se te agrado ou não.
Sinto se não encontro razão. Sinto que não encontro mais desculpas
para esta reflexão,
Absurda...

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Poetisa que não declama e Jornalista nas horas vagas.