janeiro 08, 2011

XX - Avenida

Só me custam, entender
o mar de rostos com expressões vazias,
apressados, esbarram-se, procurando certa avenida.

Só me custa, entender
que necessidade é atrelada à essa rotina,
que humanidade inversa, nos é intrínseca,
que nos torna insensíveis aos demais.

Só me custa, entender
por que devo desejar esse mundo à qualquer criança?
Não me culpe por não ter esperança
é só o desespero de uma alma de anos atrás...


Quando me vejo inerte, entre a multidão
mantendo os pensamentos em frente,
sem me importar, aparentemente
com os olhos esfomeados que me fitam do chão,
[olhos de fome, sedentos de compaixão]
por um instante algo me inebria,
e grita, intolerante, por justiça!
só que o instante já se foi, como se vai a vida
e caminho compassadamente, sem direção.

Dessa janela,  posso observar
o cansaço da face operária, desgastada
não importar quão velha ou nova, seja alma
ambas encontrarão o mesmo rumo, o mesmo destino.
E ainda posso ver, na superfície desfocada
a tristeza sufocante de alguns semblantes,
a raiva ou até mesmo a aceitação esculpida em cada face.

E me pergunto: quanto lhes custou essa ferida?
Qual a cega razão que os motiva?
à manter-se de pé, impassíveis, e até resignados
frente a essa espécie de trajetória pré-definida
Imune às reações individuais ou coletivas?

Só me custa, entender
por que fingimos tão bem
que o nosso mundo não é refém
da própria falta de atitude altruísta.

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Poetisa que não declama e Jornalista nas horas vagas.