julho 15, 2010

VIII - Tic-Tac.


Darei um tempo, um tempo do meu mundo
deste mundo que já não é tão meu, seu
imundo.
Criado por conceitos reais, já tão irreais
de modelos perfeitos, regras e erros
tão movido à ideologias banais.

Darei um tempo de tudo
das obrigações mundanas, das relações;
e idéias que me custaram desenvolver;
dos olhos azuis, e modelos da TV;
da miséria humana e inumana que povoa os jornais
dos laços que se apertam, já nem um pouco fraternais.

Darei um tempo do asfalto,
do cheiro do pixe ou do esgoto irrascível
da solidão,da angústia e outras coisas imprevisíveis.
Terei prazer, em levantar
tão cedo para ver o mar,
ou tantas outras coisas antes impossíveis.

Darei um tempo nas escolhas
nos amores, tão platônicos e incertos
das dores e quimeras
da tristeza e da melancolia.
Tentarei de qualquer forma, ser mais contente
alegrar-me por, frente ao ambiente, não ser indiferente
de ter sobrevivido à tantas ilusões perdidas.

E darei valor à vida
tão construída de sonetos e partidas
pois, enfim, "isso é que é viver..."

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