Distantes me parecem, hoje, as palavras
e exausta estou da solidão da rima.
Somente quando a dor é maior, e me perpassa
é que me dôo, inteiramente, a escrita.
Já me cansam todas as orações e frases
os verbos que ação já não implicam.
De criar versos de falsa vida, e angustiada
ainda me pergunto sobre que sentido isso tudo teria
Quando me perdi dentro da poesia?
Parece-me que a vida passa
e que minhalma há tempos já não sentia.
O rosto que contemplo ao espelho
já não expressa, são olhos vagos
de um eu que há tanto questiona a si mesmo.
Enfim, a tristeza que o semblante alcança,
é resposta à existência fugidia,
à uma essência que aos dedos lhe escorria.
Pergunta-se sobre a moça de alma velha, apaixonada
aprisionada numa existência tola e contemplativa.
Eis que pergunta, sussurrando ao tempo e ao espaço
quando perdeu-se em meio à poesia?
A poesia de uma cadência desacreditada
de boêmias canções, de melancolia.
Após tantos anos, já de face desgastada
descobriu-se na vivência escrita de sua esquizofrenia.
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