E o grito, que é nosso grito?
Somente um suspiro contra as vielas escuras,
Somente um garoto, perdido
na solidão das ruas.
Quando, por um momento
inflamos o peito com orgulho
e nos vemos diferentes dos demais.
Melhor, pior? O que isso irá mudar?
Quantos defeitos não escondemos ao seio?
Por quanto tempo, resistiremos, até desmoronar?
No fundo, sei que nada sou, e como os outros
não faço barulho
para aos grandes não incomodar.
Por mais que gritemos, estamos presos
e nossas palavras ricocheteiam nos muros,
de incertezas, medos e pretensões de espelho,
abafadas pelo silêncio surdo.
E mesmo que guarde, esse tolo anseio
de desvendar certezas a meio mundo
Sei, ainda, que também receio
e me perco nas barreiras de meu próprio escudo.

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